Coleção Isfahan

Atualizado: 9 de jan.

O oriente sempre me fascinou. Seja a cultura indiana, chinesa, japonesa, árabe, judaica, cada uma tem seu encanto. Naturalmente, quando uma cultura sobrevive tantos milênios, ela se torna muito rica culturalmente. Quando estava na faculdade de Design de Moda, fiz um trabalho que envolvia a cultura persa. Naquela época a beleza dos tapetes me chamou atenção. Um trabalho manual, extremamente detalhista e extenso que é feito até hoje. As minhas criações nunca saíram do papel, mas a admiração pela cultura permaneceu. Anos depois, em 2021, tive a oportunidade de participar de algumas aulas online com joalheiros do mundo todo. Lá conheci joalheiras iranianas e desde então não podia parar de acompanhar o trabalho delas. Uma delas acabou virando uma amiga virtual, conversávamos e trocávamos fotos e que fotos eu recebi. Através dela conheci pratos fantásticos, paisagens incríveis e cidades maravilhosas, tudo virtualmente. Uma das cidade foi Isfahan.

Isfahan é um dos centros arquitetônicos mais importantes do mundo islâmico. A cidade passou pelas mãos dos persas, turcos e finalmente dos árabes. Os últimos transformaram a cidade na preciosidade que conhecemos hoje com praças, fontes e mesquitas que remetem ao paraíso.

Masjed-e Emām (“Imam Mosque”), Eṣfahān, Iran.

© Anna Shakina/Fotolia


As mesquitas fabulosas são um reflexo de uma civilização milenar, que soube manter seu conhecimento. Apesar de invasões, trocas de poder e durante toda a Idade das Trevas que acontecia na Europa. A Mesquita do Iman, foto acima, foi inaugurada em 1629. A riqueza de detalhes, totalmente artesanais, é estonteante e foi construída em apenas 18 anos! Sem guindastes para construção de cúpulas, sem prensas hidráulicas e sem corantes industriais para os azulejos. Os temas florais nos azulejos são comuns na arquitetura islâmica. Eles remetem aos jardins do paraíso assim como as fontes de água. A cor azul, amplamente utilizada, remete a paz e estimula a espiritualidade. A coloração azul turquesa dos azulejos era alcançada através do oxido de cobre e outros pigmentos naturais.


Photographed by Tandis Shojaei

Passei semanas pesquisando sobre a arquitetura islâmica, a cultura e a religião. Diferentes mesquitas, diferentes azulejos até que encontrei a mihrab¹ da Madrasa² Imami, na foto abaixo, que data entre 1354–55. É um dos exemplos mais antigos e mais bem preservados de azulejos islâmicos.

Madrasa Imami, Isfahan, Iran (1354–late 1920s); [ A. Rabenou, Paris, by 1931–39; sold to Arthur U. Pope for MMA]; Metropolitan Museum of Art, NY.

Por alguma razão quando encontrei essa mihrab de Madrasa Imami, sabia que tinha encontrado a minha coleção. Imediatamente fui passando o desenho do azulejo para o papel e a criação das joias fluiu. Repliquei o desenho na prata e os tons de azul foram representados por topázios brasileiros em tons de azul.

A coleção Isfahan, nasceu. Inspirada nos azulejos da arquitetura islâmica persa, em especial na mihrab de Madrasa Imami de Isfahan. Espero que com ela possa trazer um pouco da história, da arquitetura e cultura que me inspirou para vocês. São joias carregadas de história, mas acima de tudo foram criadas para serem usadas, para trazer beleza para a vida de quem as usa e de quem as vê.




¹Nicho de oração presente em toda mesquita apontando para Mecca. ² Escola teológica.

16 visualizações0 comentário